Thiago Wild na Copa Davis — Foto: Getty

O Tribunal de Justiça do Estado do Paraná emitiu uma medida liminar na noite desta sexta-feira contra o tenista Thiago Wild, número 2 do Brasil e 114 do mundo, que testou positivo para o novo coronavírus. Ela prevê que o atleta de 20 anos e seus familiares precisem ficar em isolamento e quarentena, que deverão ser cumpridas em seus domicílios. Em caso de descumprimento, eles terão de pagar uma multa de R$ 30 mil (para cada vez que furarem essa ordem). Se houver reincidência, podem ser usados “meios coercitivos mais gravosos”.

A restrição para Thiago Wild e sua família é prevista até que a autoridade sanitária competente (Vigilância Sanitária Municipal e/ou Secretária de Saúde) declare que não há mais necessidade ou caso seja comunicada a alta médica. A petição inicial, obtida através de fontes do GloboEsporte.com, foi assinada por João Eduardo Antunes Mirais, promotor de Justiça, e submetida para apreciação na tarde desta sexta-feira. Ele pediu multa de R$ 50 mil, mas a medida liminar concedida pelo juiz Wesley Porfírio Borel também na sexta, mas à noite, prevê que seja de R$ 30 mil, conforme encontrado na consulta pública online do Tribunal de Justiça do Paraná.

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– O que eu gostaria de reforçar com a ação é que é importante seguir as orientações das autoridades de saúde e eventuais descumprimentos podem resultar em responsabilizações civis e criminais – relatou o promotor João Eduardo Antunes Mirais em contato com o GloboEsporte.com.

Além do tenista Thiago Wild, são citados na petição inicial e alvos da medida liminar: Gisela Christine (mãe), Vera Lúcia (avó), Claudio Ricardo (pai), Luana (irmã), Angélica Daus (tia) e Dieter Leonhard (avô), todos residentes no município de Marechal Cândido Rondon.

A petição destaca que, no dia 15 de março, Thiago Wild começou a apresentar os sintomas da Covid-19 ainda na cidade do Rio de Janeiro, área considerada como local de transmissão comunitária. Dois dias depois (17/03), ele teria contrariado “a orientação da Organização Mundial de Saúde e do Ministério público de manter-se isolado” e decidiu viajar até Marechal Cândido Rondon, no Paraná, onde moram seus familiares.

No documento, está anexado o exame de Thiago Wild que saiu no dia 25 de março atestando que o tenista estava infectado com o novo coronavírus, apesar de saber das recomendações da OMS e do Ministério da Saúde. A petição inicial diz ainda que o atleta furou isolamento e quarentena por “inúmeras vezes, saindo de casa para frequentar locais públicos, utilizar quadra de treinamento de tênis, dividir mesmos utensílios domésticos com parentes”.

Quatro dias antes, ainda segundo o documento, o atleta saiu para jogar tênis com Matheus Werner Jenke na Associação Tornado Tênis (ATT), ficando por lá durante uma hora na presença do amigo Daniel Hermann e do treinador Nelson e outros pessoas “que ele não conhece”, conforme um termo anexado na petição inicial assinado por Marcia Regina Werner, mãe de Matheus, endereçado ao departamento de Epidemiologia. Nele, ela ressalta que o momento em que Matheus ficou mais perto do tenista foi quando chegou a cerca de 20 metros de Thiago para pegar a bolinha de tênis e jogar “de volta para o campo dele”.

Também está destacado que, no fim de semana de 21 e 22 de março, conforme extraído de imagens de Instagram, o tenista esteve com sua mãe, avó, irmã e tia tomando banho de piscina e dividindo uma bebida chamada “tererê”, muito comum no Paraná.

A petição cita ainda que, com a confirmação do resultado positivo para o Covid-19, em um pronunciamento feito no dia 24 de março em suas mídias sociais, um dia antes do resultado positivo sair, o atleta declarou que, “apesar de ter sentido sintomas há 10 dias, quando realizou o teste, estava mantendo uma vida ‘normal’ e que com a confirmação do contágio com o vírus iria se isolar”.

O documento destaca ainda a necessidade de que a medida se estenda também aos familiares de Thiago Wild que tiveram contato com ele a fim de resguardar “a saúde pública de toda a coletividade”. O tenista pode recorrer da decisão, mas precisa seguir em quarentena e isolamento. Ele somente poderia conseguir um efeito suspensivo em segunda instância. A medida liminar diz ainda que todos os citados ainda deverão ser intimados.

A assessoria de imprensa do atleta disse que ele não vai mais se pronunciar. Consultado pelo GloboEsporte.com, o advogado André Luis Roza explicou que a multa é aplicada o número de vezes que houver descumprimento e por pessoa. Mas, caso o juiz entenda que a medida não está sendo efetiva, pode tomar outras medidas:

– Apesar de existirem poucos casos em que o Poder Judiciário precisou intervir, caso haja o descumprimento da liminar, poderá ser aplicada a multa por ato de descumprimento e por pessoa, bem como a adoção de outras medidas coercitivas, como, por exemplo, a apreensão da carteira de motorista, eventuais veículos automotores, ou seja, qualquer meio necessário para impedir que isolamento social seja violado – comentou.

Portal Guaíra com informações do Globo Esporte