Quem pensa que o comércio ilegal de mercadorias contrabandeadas do Paraguai e da Argentina se restringe a eletroeletrônicos, armas, cigarros e drogas, engana-se. Dados fornecidos pelo escritório do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em Foz do Iguaçu revelam um número espantoso de apreensões de alimentos nesse ano como resultado do descaminho, com ênfase nos últimos dias ao tomate. Somente nas duas últimas semanas, a Receita Federal apreendeu o equivalente a meia tonelada da fruta. A fiscalização e as apreensões só não são maiores em virtude da falta de efetivo. As barreiras fitossanitárias são ignoradas pelos contrabandistas, que encontram diversos meios de colocar os produtos no mercado brasileiro, seja atravessando sobre o rio Paraná ou no meio de carregamentos.

Conforme números repassados pelo escritório do Ministério da Agricultura em Foz do Iguaçu, de janeiro até agora, foram apreendidos 113,7 mil quilos de alimentos. Do total, a cebola responde por 89,6 mil quilos, seguida pela farinha de trigo, com 8,1 mil quilos e o alho, com 7,9 mil quilos. O alpiste também aparece entre os itens mais contrabandeados, totalizando 2,3 mil quilos. Até o camarão aparece na listagem, com 1,1 mil quilos. Já o tomate, representa 629 quilos.

-------------- Notícia continua após a publicidade -------------
Apreensões de cebola argentina são comuns por parte da Polícia Federal: preocupação com a saúde humana e propagação de doenças aos animais
Apreensões de cebola argentina são comuns por parte da Polícia Federal:
preocupação com a saúde humana e propagação de doenças aos animais

Os flagrantes são feitos tanto na Ponte da Amizade, na divisa do Brasil com o Paraguai, como na Ponte Tancredo Neves, fronteira com a Argentina. É justamente de Porto Iguaçu que o tomate é trazido para ser comercializado no Brasil. Tudo em função dos preços registrados nos supermercados de Foz do Iguaçu, quando o preço do quilo chegou a ser vendido a R$ 7. Hoje, esse valor apresentou uma sensível queda. Na Argentina, o quilo é comercializado a R$ 3.

Além do tomate, outros produtos do gênero alimentício que entram de forma ilegal no Brasil são alho, farinha de trigo, cebola, frutas, açúcar, batata, milho pipoca, carne vermelha e peixe. A principal preocupação das autoridades é com os riscos à saúde pública, em virtude da falta de efetivo para fiscalização e no processo de produção dos alimentos, envolvendo inclusive o correto manejo.

cebola2

De acordo com Garcez, cada produto tem a sua época específica caracterizando um volume maior de apreensões. A pessoa flagrada tem toda a mercadoria apreendida. A maioria dos produtos alimentícios é trazida para o Brasil da Argentina, pela Ponte Tancredo Neves. Os itens procedentes do Paraguai são cebola e farinha de trigo. Até mesmo o transporte de carne é feito em direção ao Brasil, tanto pela Argentina como pelo Paraguai.

Grande parte desses produtos não conta com certificado do ministério de seus respectivos países e não cumprem o trâmite de importação. “Essa prerrogativa coloca em risco a saúde da população e dos animais nos aspectos da qualidade e da sanidade”, destacou Garcez. Um dos exemplos claros dessa preocupação ocorreu no ano passado, com o registro de casos de febre aftosa no Paraguai, obrigando o Brasil a adotar severas medidas para evitar a entrada da carne contaminada, reforçando as barreiras na fronteira.

Fonte: Vandré Dubiela/O Paraná