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​Alexandre Magno Abrão, o Chorão do Charlie Brown Jr., morreu de overdose de cocaína, de acordo com o laudo necroscópico da Polícia Científica de São Paulo, divulgado nesta quinta-feira (4). Foram encontradas quase 4,8 miligramas do entorpecente por milímetro de sangue do cantor, encontrado morto em seu apartamento, na zona oeste da capital paulista, no último dia 6 de março, aos 42 anos de idade.

“O laudo confirmou nossa suspeita inicial, que é a da popularmente chamada overdose”, afirmou o delegado do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), Dr. Itagiba Vieira Franco, citando a investigação, que, além de ter encontrado uma série de vestígios da droga no apartamento do cantor, constatou com amigos e parentes o fato de ele ter tido um envolvimento abusivo com a cocaína.

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O caso será enviado à Justiça pelo delegado que chefia as investigações tão logo for liberado o exame toxicológico de Chorão – bem mais detalhado do que o laudo necroscópico -, cuja função é confirmar se houve uso de outras substâncias, como álcool e remédios, antes da morte. “No apartamento dele tinha muitas garrafas de bebida, além de medicamentos controlados. Mas é o exame que mostrará se houve uso deles e se estes colaboraram para o óbito.”

Com o resultado final, a Justiça deve arquivar o caso, já que não há nenhuma evidência de crime na morte do cantor.

Alexandre Magno Abrão, ao centro, ao lado dos companheiros de Charlie Brown Jr., banda que fundou
Alexandre Magno Abrão, ao centro, ao lado dos companheiros de Charlie Brown Jr., banda que fundou

Debilitado
O laudo necroscópico não confirmou apenas o abuso de cocaína como causa da morte. Segundo o delegado, “a saúde de Chorão já estava bastante debilitada”, apesar da pouca idade, “e a droga só ajudou a potencializar esse problema”.

“O coração, os rins e até o cérebro estavam bastante comprometidos. Não sabemos se ele estava cuidando da saúde ou se foi deixando passar, mas seu quadro era bastante preocupante”, explicou.

No dia em que o corpo do cantor foi encontrado em seu apartamento, Itagiba Franco contou detalhes sobre o estado do local e, embasado em informações da investigação, foi categórico: o músico tinha uma quadro psicótico de perseguição. O uso abusivo de cocaína foi confirmado pela viúva de Chorão, Graziela Gonçalves, que chegou a afirmar: “perdi Alexandre para as drogas”.

Nascido em São Paulo no dia 9 de abril de 1970, Alexandre Magno Abrão teve uma infância humilde e, em 1987, já adolescente, se mudou para Santos, no litoral paulista, onde fundou a banda Charlie Brown Jr., em 1992. Cantor e principal letrista do grupo, ele foi o único integrante a participar de todas as suas formações.

Além da dedicação à música, Chorão também se interessava pelo cinema. Ele roteirizou o filme O Magnata, de 2007, estrelado por Paulo Vilhena, e escreveu o roteiro de O Cobrador, ainda em produção. Também tinha uma linha de roupas, chamada DO.CE.

A paixão de Chorão pelo skate resultou na criação do Chorão Skate Park, pista indoor localizada em Santos. No entanto, antes de se dedicar ao esporte – ele participou de diversos campeonatos e chegou a ser vice-campeão paulista -, o vocalista era alvo de piadas dos amigos, que acabaram resultando no famoso apelido Chorão. Certo dia, quando jovem, ao observar os colegas andando de skate, um deles brincou, dizendo “não chora!”. A zombaria pegou.

Fonte: Terra