Até pouco tempo ela era uma das penitenciárias mais temidas pelos presos pela rigorosidade na segurança interna, agora há denúncias que aparelhos celulares estão entrando com frequência e com certa facilidade na PEC (Penitenciária Estadual de Cascavel).

Temida pelo rigor na segurança interna, presos têm acesso a celulares dentro da PEC (foto: Ailton Santos/O Paraná)
Temida pelo rigor na segurança interna, presos
têm acesso a celulares dentro da PEC (foto: Ailton Santos/O Paraná)

Profissionais da área criminal, ligados à Subseção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Cascavel, alegam que podem existir agentes penitenciários facilitando a entrada de chips, aparelhos e carregadores. Para isso, cada preso precisa desembolsar de R$ 2 mil a R$ 3 mil por aparelho.

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O principal indício de que isso pode estar acontecendo casou com a apreensão de um aparelho no cubículo 181 no dia 30 de janeiro passado. Ele foi localizado durante uma vistoria e estava em um saco plástico, amarrado a uma corda, dentro do vaso sanitário.

No momento em que o celular foi localizado, dos seis presos que ocupavam a cela, cinco estavam no banho de sol. Todos teriam sido imediatamente levados parta o isolamento para que a situação fosse apurada. Ocorre que ele não foi o único localizado dentro dos pavilhões.

Parte desse relato consta no comunicado interno 005/2013 da penitenciária do dia do ocorrido. Dias depois, os presos foram ouvidos e no dia 18 de fevereiro, o Conselho de Disciplina se reuniu para avaliar a conduta dos detentos. O Paraná teve acesso aos documentos. Dois deles tiveram penalidades mais severas, como a dificuldade de acesso a portarias para visitar parentes, por exemplo. Os demais tiveram punições mais brandas.

Presos trocavam mensagens entre si

Além da comunicação externa, os presos estavam se comunicando internamente. Em outros aparelhos recolhidos, foram identificadas mensagens de texto trocadas por eles. Somente um dos detentos chegou a ficar com o aparelho na PEC por cinco meses.

A suspeita lançada vai além. Os funcionários que estariam facilitando a entrada dos celulares seriam os mesmos que depois indicavam onde estavam os aparelhos para serem tomados nas varreduras.

O diretor da PEC, Daniel Lima Pereira, confirmou que foram localizados seis celulares dentro da penitenciária, todos em janeiro. Os presos teriam sido identificados e agora o trabalho está concentrado em localizar quem os colocou ou facilitou a entrada dos aparelhos.

Ao menos três possibilidades são investigadas. A de que os aparelhos possam ter sido trazidos durante as visitas, de que os presos tenham entrado com eles durante alguma escolta ou que de tenham sido facilitados por funcionários e recebidos pelo “benefício”.

Segundo o diretor, todos os aparelhos apreendidos foram encaminhados para a Siju (Secretaria de Estado da Justiça) que acompanha o caso.

Fonte: O Paraná