O juiz Adilson Paukoski Simoni, da 5ª Vara do Júri da Capital, autorizou nesta segunda-feira (14) a exumação do corpo do empresário Marcos Kitano Matsunaga, diretor executivo e neto do fundador da empresa de alimentos Yoki, morto no dia 19 de maio do ano passado. O pedido de exumação foi feito em dezembro passado pela defesa deElize Matsunaga, mulher de Marcos e ré confessa do assassinato. De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), uma nova perícia servirá para determinar o exato momento da morte do empresário, se depois de levar um tiro na cabeça ou após o início do esquartejamento (laudo do Instituto Médico Legal entregue à polícia durante a investigação aponta como causa mortis traumatismo craniano associado à asfixia por sangue em consequência de uma decapitação).

Com a exumação, a defesa pretende excluir do processo o meio cruel das agravantes e provar que houve fratura de crânio devido ao tiro.

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A partir do conhecimento da decisão do juiz Adilson Paukoski Simoni, o Ministério Público (MP) e os advogados de Elize terão três dias para, caso queiram, apresentar questionamentos ao perito; eles também podem indicar assistente técnico para o procedimento. Após esse prazo, o responsável pela perícia terá dez dias para elaborar o laudo.

Na mesma decisão, o magistrado indeferiu pedido dos advogados da ré para retirar dos autos os depoimentos de duas testemunhas do processo.

Marcos levou um tiro à queima-roupa na cabeça e depois foi esquartejado. Pedaços do corpo foram desovados em uma estrada de Cotia, na Grande São Paulo. A defesa de Elize defende a tese de um crime passional, sob forte emoção, após ela ter sido agredida pela vítima durante uma discussão sobre um relacionamento extraconjugal do empresário e a guarda da filha do casal.

Para os advogados, ela deve responder por homicídio simples e ocultação de cadáver. Já para a acusação, foi um crime e por motivo financeiro. A promotoria espera que ela seja condenada a 30 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado – motivo torpe (vingança movida por dinheiro), utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima e meio cruel (esquartejamento).

O primeiro laudo do IML também mostra que o tiro disparado contra Marcos foi dado à queima-roupa, e de cima para baixo, o que não sustentaria a versão de Elize dada à polícia, já que a vítima estaria sentada – Elize é mais baixa que o empresário e disse que atirou após ser agredida e humilhada pelo marido.

Atualmente, Elize está no presídio de Tremembé, Vale do Paraíba, no interior de São Paulo, onde também se encontram presas Suzane von Richthofen, condenada por matar os pais, e Anna Carolina Jatobá, que cumpre pena pela morte da enteada, Isabella Nardoni.

Fonte: Agência O Globo