Multidão se aglomera em frente ao Fórum de Santana para protestar (foto: VEJA)

Uma funcionária do sistema prisional de São Paulo declarou em depoimento formal ao Ministério Público ter ouvido de Anna Carolina Jatobá, madrasta presa na Penitenciária de Tremembé pela morte da menina Isabella Nardoni, que o avô paterno da criança, Antonio Nardoni, sugeriu que ela e o marido, Alexandre Nardoni, “simulassem um acidente” para tentar justificar a morte da garota. O depoimento foi noticiado no domingo pelo programa Fantástico, da TV Globo.

Anna Carolina e Alexandre Nardoni foram condenados por homicídio triplamente qualificado e fraude processual pela morte de Isabella. Ele cumpre pena de 31 anos, um mês e dez dias de prisão; ela, de 26 anos e oito meses. O Ministério Público deve analisar o conteúdo do depoimento para verificar a necessidade de ouvir novamente os condenados, o avô de Isabella e a denunciante. A funcionária teve a identidade mantida em sigilo.

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Segundo o Ministério Público, o casal agrediu a menina dentro do carro e em casa, a asfixiou e depois a arremessou da janela do apartamento onde moravam na Zona Norte de São Paulo, na noite de em 29 de março de 2008. Ela tinha 5 anos de idade. À Justiça, ambos disseram ser inocentes.

A funcionária revelou que Anna Carolina admitiu ter agredido a enteada “porque ela estava enchendo o saco” e acreditava que a criança, então desacordada, já estivesse morta. Segundo a versão da servidora, Anna Carolina disse ter telefonado na sequencia para o sogro, o advogado Antonio Nardoni, em busca de orientação. A servidora afirma que a madrastra de Isabella também reconheceu, em conversa informal na cadeia, que Alexandre arremessou a criança da janela, em uma tentativa de simular um acidente.

Ela também disse que Anna Carolina contou a história logo que chegou à penitenciária, quando ainda tinha medo de se relacionar com as demais detentas. A servidora revelou que a madrasta recebe presentes do sogro e da família, como brincos, queijos e até um colchão especial.

Ao Fantástico, o advogado da família, Roberto Podval, disse que o depoimento expõe os avós e é uma “história sem pé nem cabeça”. Antonio Nardoni disse estar tranquilo e que jamais fez tal sugestão à nora. “Eu tenho absoluta convicção de que eles não fizeram nada e de que eu não fiz nada. Eu nunca faria isso”, afirmou em contato telefônico.

O procurador Francisco Cembranelli, que atuou no caso à época, disse que o avô de Isabella chegou a figurar como suspeito durante as investigações porque foi comprovada uma breve ligação telefônica entre ele e nora na noite do crime. Não ficou comprovado, porém, envolvimento de Antonio Nardoni no assassinato. O depoimento pode motivar a abertura de nova investigação para apurar a responsabilidade do avô na morte da neta.

Multidão se aglomera em frente ao Fórum de Santana para protestar (foto: VEJA)
Multidão se aglomera em frente ao Fórum de Santana para protestar (foto: VEJA)

Fonte: Veja