A principal testemunha do caso que investiga a morte do jogador de futebol Daniel Correia Freitas, Lucas Stumpf, conhecido como Lucas Mineiro,  deu entrevista exclusiva na segunda (5) para o RPC TV. Ele afirmou que viu o assassino confesso Edison Brittes enforcando o jogador em cima da cama da esposa Cristiana Brittes e que ela pedia por socorro. Lucas  foi o primeiro a falar com a polícia um dia depois do crime, em 27 de outubro de 2018, e já prestou depoimento à polícia. Ele participou da festa de aniversário de Allana Brittes, 19 anos, na Shed, e seguiu para a casa da família, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, para continuar a festa.

“No momento em que eu olhei pela janela, eu vi ele [ Daniel] na cama sendo enforcado. Eu vi o Edison enforcando ele em cima da cama, batendo em cima da cama. Ele [ Daniel] estava de cueca e camiseta”, contou Mineiro. “Ela [Cristiana Brittes] tentava pedir ajuda, mas ela não tinha o que fazer. Ela não tinha como reagir naquele momento e não ia conseguir fazer nada naquele momento, creio eu. Ela pedia socorro e eu não sei dizer se o socorro dela era por algo que aconteceu com ela mas, no meu entendimento, no meu ver do momento dos fatos, era que o pedido de socorro era pro Daniel”, afirmou Lucas. Segundo Lucas, em entrevista à RPC, ele pediu que Brittes parasse mas foi ameaçado.  Ele contou ainda que Allana estava muito assustada e que também pedia para parar com as agressões. “Eu escutava ela falar muito: Meu Deus, o que está acontecendo, meu Deus”, contou ele.Mineiro ainda disse ter tentado separar Daniel dos agressores e foi impedido. “Eu cheguei e falei pro Edison, ‘para, para’ e ele, ‘sai fora, senão você é o próximo’ e eu digo pra Alana, ‘pelo amor de Deus, não deixa teu pai chegar perto de mim’, e ela, ‘não chega perto do meu pai então, fica longe dele'”. Na entrevista, Mineiro afirma que outra testemunha, uma moça, tentou chamar o SAMU – Serviço de Atendimento Móvel Urgente. “Vou chamar o SAMU, e ele [Edison]: ‘não chama, não chama!’ e ela acaba não conseguindo pedir socorro pra ele. Muitas pessoas falaram pra mim, ‘se eu tivesse lá eu pediria socorro, a polícia’, mas as pessoas não sabem como é quando você está nessa situação. Após ser espancado, o jogador foi levado de carro por Edison Brittes e outras pessoas para uma área rural de São José dos Pinhais, onde foi assassinado.

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Dois dias depois, ele e os Brittes acabaram se encontrando em um shopping de São José dos Pinhais. Lucas diz ter sido recebido com um beijo por Edison Brittes.”Eu já sabendo o que tinha acontecido, não tinha como olhar pra ele e não cumprimentar.” Segundo ele, Brittes queria combinar uma versão: “O elo tá fechado, se alguém abrir, vou saber quem foi”. Então Lucas Mineiro decidiu deixar a região de Curitiba. “Rompi esse elo, vou à delegacia e conto tudo o que eu vi. No momento em que eu saio da delegacia, amigos meus, amigos de infância, avisando a minha mãe, ‘olha tia, não deixa o Mineiro voltar pra cá porque tem uns moleques barra-pesada falando que vão pegar ele”. A reportagem exibiu ainda um áudio cujo emissor não foi identificado, mas que trazia uma ameaça a Mineiro: “Manda avisar que se tiver com intenção de pisar em São José vai morrer”. Longe de Curitiba, Lucas Mineiro faz tratamento psicológico, razão apresentada para decidir exibir o rosto e falar no caso. “Medo é o que descreve o que eu vivo. Tomo remédios”, afirmou na entrevista.

Julgamento no STF e depoimentos 

O caso do assassinato do jogador de futebol, Daniel Corrêa Freitas  terá dois capítulos importantges no mês de agosto. Nesta terça (6). a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), deve julgar o habeas corpus de Allana Brittes, 18 anos, uma das sete pessoas acusadas de participar da morte do jogador Daniel. Já a partir do dia 13 de agosto, na 1ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, os sete acusados do crime prestarão depoimentos. Na oportunidade, serão ouvidos Edison Luiz Brittes Junior, que confessou o crime, Eduardo Henrique Ribeiro da Silva, Ygor King, David Willian Vollero da Silva, Allana Brittes, Cristiana Rodrigues Brittes e Evellyn Brisola Perusso.

O pedido de Allana, presa desde o dia 1 de novembro, foi incluído na pauta do STJ pelo ministro Sebastião Reis Júnior, que negou habeas-corpus de forma monocrática em março. A defesa da jovem alega que ela não representa risco para as investigações, e que as testemunhas não apontaram qualquer ato de Allana durante a morte do jogador.

Já foram ouvidas pela Justiça as testemunhas de acusação e defesa em em fevereiro e em abril deste ano. Prestaram depoimento pessoas que estavam na festa de aniversário de Allana Brittes, na véspera do crime, e familiares do jogador e dos acusados. Ao todo, são 77 testemunhas arroladas no caso.

 O crime

O corpo de Daniel foi encontrado na zona rural de São José dos Pinhais na manhã de 27 de outubro de 2018. Ele apresentava degola parcial e estava com o pênis decepado. As investigações apontaram que o jovem foi assassinado após uma confusão na casa da família Brittes. O jogador havia participado da festa de aniversário de 18 anos de Allana, que ocorreu em uma casa noturna de Curitiba (Boate Shed) e na sequência, seguiu com a família e amigos da jovem para continuar a festinha na casa da garota.

As investigações apontaram que durante a madrugada Daniel entrou no quarto de Cristina Brittes enquanto ela dormia, tirou fotos ao lado dela e enviou para amigos pelo Whatsapp. Foi quando Edison Brittes teria entrado no quarto e espancado o rapaz com ajuda de outras pessoas. Essa parte do crime ainda deve ser esclarecida, para apontar os responsáveis pelo espancamento e de que forma isso aconteceu. Eduardo da Silva, Ygor King, David Silva, convidados da festa, também foram acusados de envolvimento na morte do jogador. Evellyn Perusso, que não está presa, é acusada de falso testemunho.

Portal Guaíra com informações da RPC