O marido suspeito de envenenar a mulher usando um copo de cerveja com dietilenoglicol, mesma substância que contaminou rótulos da Backer em 2020, foi indiciado pela Polícia Civil na segunda-feira (10).

O suspeito, que confessou o crime, está preso preventivamente desde o dia 19 de abril. O inquérito foi remetido à Justiça.

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O crime aconteceu em 11 de abril, em Mateus Leme, na Grande BH. A vítima, Gisele Lidiana da Silva Rocha Queiroga, de 37 anos, ficou internada por quase 30 dias, mas morreu na última sexta-feira (7), após complicações decorrentes do envenenamento.

Kleber Pires de Queiroga, de 42 anos, foi indiciado pelo crime de homicídio qualificado pelo motivo fútil, por emprego de veneno, com recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima e pelo feminicídio.

Os dois eram casados havia 19 anos e tinham dois filhos, de 8 e 17 anos. Os filhos estão sob a guarda de parentes, segundo a polícia. Gisele também tem uma terceira filha de outro relacionamento.

Comprou pela internet
Quando foi preso, o suspeito confessou o crime, segundo a Polícia Civil. Ele disse aos policiais que o objetivo era matar a esposa e o motivo seriam as brigas conjugais motivadas por ciúmes e por problemas financeiros.

Ele também admitiu ter comprado dietilenoglicol no dia 15 de fevereiro e aguardado o momento para oferecer a bebida envenenada à mulher. A substância, usada na refrigeração das bebidas, custou R$ 35 e foi comprada pela internet.

Dois dias depois de tomar a cerveja “batizada” pelo marido, Gisele procurou atendimento no hospital de Mateus Leme. Ela piorou e teve que ser transferida no mesmo dia para o Hospital Municipal de Contagem, também na Grande BH, a 45 quilômetros de Mateus Leme.

“Como a mulher começou a piorar, o homem contou aos profissionais de saúde que tinha envenenado a esposa com dietilenoglicol e depois se entregou à polícia”, disse a delegada que investiga o caso, Lígia Barbieri Mantovani.

O consumo do dietilenoglicol pode ser fatal, dependendo da dosagem. Em 2020, um vazamento da mesma substância contaminou vários lotes de cervejas produzidas pela Backer. Vinte e nove pessoas foram intoxicadas, 16 tiveram sequelas graves e 10 morreram.

Durante o trabalho investigativo, foram realizadas perícias técnicas, inclusive exame toxicológico na vítima. Além disso, foram ouvidas testemunhas que confirmaram o relacionamento conturbado entre a mulher e o suspeito.

Portal Guaíra com informações do G1