(Foto: Reuters/Dado Ruvic)

Um cruzamento de dados feito em duas bases de informações diferentes do Ministério da Saúde aponta que pelo menos 26 mil doses vencidas da vacina contra covid-19 da AstraZeneca foram aplicadas no Brasil, segundo notícia publicada nesta sexta-feira (2) pelo site da Folha de S.Paulo. De acordo com a reportagem, os imunizantes fora do prazo seriam provenientes de lotes importados da Índia pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ou adquiridos por meio da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

O Ministério da Saúde informou, em nota, que nenhuma dose de vacina é entregue aos estados e Distrito Federal vencida. “A pasta acompanha rigorosamente todos os prazos de validade das vacinas covid-19 recebidas e distribuídas pela pasta.” Acrescentou, ainda, que “cabe aos gestores locais do SUS o armazenamento correto, acompanhamento da validade dos frascos e aplicação das doses, seguindo à risca as orientações do ministério”.

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Conforme a reportagem, que compilou dados até 19 de junho, os imunizantes que tiveram prazo de validade expirado foram utilizados em 1.532 municípios brasileiros. A cidade campeã de vacinas vencidas foi Maringá (PR), com a vacinação de 3.536 pessoas, seguida por Belém (PA), com 2.673; São Paulo, 996; Nilópolis (RJ), 852; e Salvador (BA), com 842. A Folha cita que as demais cidades tiveram menos de 700 pessoas vacinadas com imunizante vencido, ressaltando que a maioria não passou de 10 doses cada.

Segundo a reportagem, outras 114 mil doses da vacina AstraZeneca foram distribuídas pelo Ministério da Saúde aos estados e municípios com prazo de validade vencido, embora não seja possível saber se elas foram aplicadas. O ministério nega.

No momento, a vacina da AstraZeneca é a mais usada contra a covid no país, respondendo por 57% de toda a imunização.

Novo ciclo vacinal

O Ministério da Saúde esclareceu ainda que, segundo a orientação do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO), caso alguma vacina seja administrada após o vencimento, essa dose não deverá ser considerada válida, sendo recomendado um novo ciclo vacinal, respeitando um intervalo de 28 dias entre as doses. O vacinado deverá ser acompanhado pela Secretaria de Saúde local.

Procuradas, a Fiocruz e a Opas não responderam aos pedidos de comentários sobre o fato.

Veja o que responderam o governo de São Paulo e as prefeituras responsáveis pelo maior número de aplicação de vacinas vencidas:

São Paulo

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que, embora todos os lotes sejam distribuídos dentro do prazo de validade, foi possível identificar, por meio da plataforma VaciVida (sistema online que permite o monitoramento dos vacinados) 4.772 registros em 315 municípios que sugerem aplicações dos imunizantes da AstraZeneca após o vencimento.

“A pasta está informando as prefeituras, que são as responsáveis pela aplicação das vacinas, para realizar busca ativa desta população. Cada prefeitura pode consultar os dados da sua cidade no VaciVida e identificar o munícipe que eventualmente tenha recebido uma vacina vencida. Caso seja uma situação de erro de digitação do lote ou de data de aplicação, os municípios também podem realizar a correção na plataforma”, diz a nota.

A Secretaria de Saúde informou, ainda, que quem tiver dúvida com relação à validade do imunizante da Astrazeneca que recebeu deve procurar a unidade de saúde em que foi vacinada. Além disso, se o cidadão identificar uma data ou lote divergente da carteirinha em papel em relação ao digital, deve procurar o serviço municipal para emissão de um novo documento impresso.

Maringá

Em nota, o secretário da Saúde de Maringá, Marcelo Puzzi, explica: “O lançamento no Sistema Conect SUS está diferente do dia da aplicação da dose. Isso porque, no começo da vacinação, a transferência de dados demorava a chegar no Ministério da Saúde, levando até dois meses. Portanto, os lotes elencados são do início da vacinação e foram aplicados antes da data do vencimento. Concluindo, não houve vacinação de doses vencidas em Maringá e sim erro no sistema do SUS.”

As informações são do R7.com