O irmão do rapaz de 29 anos que morreu após cair de um brinquedo e ser esmagado pela estrutura em um parque de diversões em Itu (SP) relembrou o desespero no momento do acidente, ocorrido na noite de quinta-feira (28).

William Ribeiro de Oliveira chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Outras cinco pessoas ficaram feridas. Leia mais abaixo o que o parque diz sobre o acidente.

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Em um vídeo gravado momentos depois do acidente, é possível ver muitas pessoas correndo e gritando. Algumas delas tentaram socorrer o rapaz.

Gabriel Ribeiro de Oliveira, de 21 anos, contou que também estava no brinquedo e que, inicialmente, não percebeu o que havia acontecido:

“O brinquedo deu duas voltas e comecei a ouvir as pessoas gritando, mas não sabia que era meu irmão que tinha caído”.

Gabriel contou que teve a ajuda dos amigos Lucas Alves da Mota, de 21 anos, e Diego Pereira Nepomuceno, de 24 para retirar o irmão que estava debaixo do brinquedo.

“Consegui soltar meu cinto e fui ajudar meus amigos a tirar meu irmão da engrenagem, mas o brinquedo não parou de girar e acabou prensando a gente também”, lembrou.

Gabriel sofreu uma fratura na clavícula, mas já recebeu alta. Diego e Lucas foram socorridos e continuavam internados até a última atualização desta reportagem.

Outras duas pessoas tiveram ferimentos e foram levadas a hospitais municipais.

“Não foi uma morte comum. Foi uma tragédia. Eu não sei como a minha mãe está conseguindo ficar em pé agora. Nossa família está destruída”, disse Gabriel.

O que diz o parque sobre o acidente
De acordo com informações passadas pelo dono do parque em depoimento à polícia (veja no vídeo abaixo), o brinquedo Superman, que faz movimentos no ar com as pessoas sentadas, estava em funcionamento quando William retirou a grade que prende os bancos e decidiu ficar em pé.

As informações teriam sido passadas pelo operador do brinquedo e constam no boletim de ocorrência. Ao ver o homem em pé, o operador decidiu parar o brinquedo, momento em que William caiu e foi prensado pela estrutura.

À Tv Tem, no entanto, Gabriel afirmou que o operador não parou o brinquedo, que continuou girando e atingiu a ele e aos outros dois amigos.

William chegou a ser socorrido e encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Vila Martins, mas não resistiu e morreu. O corpo do jovem foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) para autópsia.

Segundo o diretor do serviço funerário municipal, Edmilson Martins, a causa da morte foi politraumatismo, provocado por agente cortante contundente. O velório estava previsto para começar às 14h desta sexta-feira (29), no velório municipal, e o enterro, para as 16h, no cemitério municipal de Itu.

Polícia investiga
O dono do parque e o operador foram encaminhados para a delegacia e uma perícia foi feita no local para determinar as causas do acidente. A Guarda Civil Municipal e a Polícia Militar passaram a noite toda no parque, trabalhando na proteção da área.

A Polícia Civil informou que já ouviu algumas pessoas envolvidas e vai juntar os depoimentos delas com os detalhes da perícia para identificar o que realmente aconteceu. A princípio, o caso é investigado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e lesão corporal culposa.

Segundo a delegada Marcia Pereira Cruz, mais envolvidos e possíveis testemunhas também serão ouvidos. Além disso, foi solicitada uma perícia especializada na área de engenharia, que deveria ser feita ainda nesta sexta. O inquérito tem um prazo de 30 dias para ser concluído.

Parque com documentos em dia
A delegada explicou que o parque tinha toda a documentação necessária para funcionar e que já esteve na cidades outra vezes, sem nunca ter se envolvido em problemas anteriormente.

De acordo com a Prefeitura de Itu, o parque tinha alvará de funcionamento desde quinta, quando ocorreu a abertura. Mas moradores relataram que a estrutura estava no local havia cerca de duas semanas.

Ainda segundo a prefeitura, o parque já foi fechado deveria começar a ser desmontado nesta sexta.

O responsável legal pelo parque afirmou à TV Tem que aguardaria o resultado final da perícia, mas que o brinquedo não apresentava irregularidades.

“O erro não foi do brinquedo. O pessoal deu uma olhada no equipamento e viu que está tudo ok. Infelizmente, o rapaz foi andar de forma incorreta, querer ficar em pé, não sei se foi para tirar selfie, eu não sei dizer exatamente, mas ele foi orientado a sentar. Ele sentou e, depois, quando o equipamento rodou novamente, ele ficou em pé, caiu no chão. Aí o equipamento freou rapidamente, mas não foi o suficiente para poder parar e ‘catou’ ele”, relatou.

Ele disse também que o parque vai dar todo o suporte possível para a família de William e para os feridos.

“Infelizmente, foi uma fatalidade. Nós, com tantos anos de parque, nunca tivemos nada nesse caso, foi o primeiro agora. É triste, é lamentável, porque a gente trabalha tanto, a gente luta tanto para poder trazer felicidade e divertimento para a população de várias cidades e com segurança, tudo como manda a lei”, disse.

Portal Guaíra com informações do G1