“A enfermeira do presídio disse que ele estava bem. Tomou café no refeitório. Ficamos sem acreditar”, disse Claudinéia Moraes, prima de Lucas Morais, de 28 anos, preso que morreu em Manhumirim, na Zona da Mata de Minas Gerais, no dia 4 de julho com suspeita de Covid-19.

Ele cumpria cinco anos em regime fechado por estar com cerca de dez gramas de maconha no bolso da calça. Lucas estava no presídio de Manhumirim desde 2018. Ele teve três pedidos de habeas corpus negados. O julgamento da apelação da sentença seria no dia 28 de julho. A defesa tinha esperança que ele pudesse sair por causa da fragilidade das provas.

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Lucas nasceu em Espera Feliz, na Zona da Mata mineira, cidade com pouco mais de 20 mil habitantes. Com seis irmãos, ele perdeu a mãe e foi morar com a avó e a tia, mãe de Claudinéia.

“Foi uma vida muito difícil porque somos uma família carente. Ficou minha mãe e minha avó para criar os sete filhos, eu e meus três irmãos”, contou a prima.
As famílias moravam em casas vizinhas, mas depois que uma delas foi soterrada após a queda de uma barreira, todos foram morar sob o mesmo teto.

“Minha avó fez o melhor que pode com ajuda da minha mãe”, disse Claudinéia.

Atestado de óbito de Lucas Morais — Foto: Felipe Peixoto/Arquivo pessoal

Lucas trabalhava em um armazém de café na época em que foi preso. Ele estava em casa, deitado na cama, com o uniforme da empresa, quando policiais bateram em sua porta por volta da meia-noite.

A porção de maconha estava no bolso da calça. Lucas alegou que era para consumo próprio, mas foi preso por tráfico de drogas após um adolescente dizer que tinha comprado parte da droga dele.

O jovem e outros 158 detentos do presídio testaram positivo para a Covid-19 através do teste rápido. Como ele não é conclusivo, a morte dele segue sob investigação.

“Tem uma pessoa conhecida que mora em Manhumirim que disse que tinha falecido um Lucas no presídio. A gente nem sabia que era ele porque tem mais três Lucas na lista de contaminados. Logo em seguida entraram em contato com a minha mãe e avisaram sobre a morte dele”, disse Claudinéia.
A família pagou R$380 pelo serviço funerário para que o corpo de Lucas pudesse ser enterrado em Espera Feliz.

“Não teve velório, né?’, contou a prima.

Portal Guaíra com informações do G1