A imprensa internacional deu destaque nesta terça-feira (23) a uma campanha entre investidores contra o Brasil se valendo no discurso do desmatamento da Amazônia. A ameaça foi repercutida por grandes nomes da mídia mundial como o Financial Times, The New York Times, The Washigton Post, Bloomberg, MercoPress.

De acordo com os veículos, um documento assinado por 29 empresas, entre elas a maioria europeia, foi enviado a embaixadores brasileiros expressando sua preocupação com o aumento do desmatamento ilegal da Amazônia. Entre as instituições, que gestam um fundo de US$ 3,75 trilhões em investimentos, estão a Legal & General Investment Management Ltd, a Sumitomo Mitsui Trust Asset Management e a NN Investment Partners.

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“O desmantelamento de políticas ambientais e de direitos humanos está criando uma incerteza generalizada sobre as condições de investimento ou prestação de serviços financeiros ao Brasil”, diz a a carta, endereçada às embaixadas brasileiras na Noruega, Suécia, França, Dinamarca, Holanda, EUA e Reino Unido.

Também na carta, as empresas afirmam que irão deixar seus investimentos em grupos frigoríficos, de comércio de grãos e até mesmo títulos do governo brasileiro caso não vejam mudanças e um progresso nas políticas de conservação do meio ambiente.

O tal documento, todavia, chega logo na sequência de um decreto do governo brasileiro que otimiza e impulsiona o mercado de títulos verdes no país. Nesta terça-feira, o Ministério da Agricultura e a Climate Bonds Initiative (CBI) lançaram o Plano de Investimento para Agricultura Sustentável, durante o webinar “Destravando o Potencial de Investimento Verdes para Agricultura no Brasil”.

“Queremos ser protagonista desta nova tendência. Daí a importância de se fortalecer esse mercado de finanças verdes no Brasil, que é uma potência agroambiental, comprometida com a sustentabilidade”, afirmou a ministra Tereza Cristina durante a divulgação.

Para a Dra. Samanta Pineda, especializada em direito ambiental, este é mais um movimento claro contra o potencial sustentável do agronegócio brasileiro. “Temos iniciativas sustentáveis que outros países não têm, como o plantio direto, o etanol, a reserva legal em áreas de preservação. Então, com essas mudanças nós dominaríamos esse mercado de green bonds. Então, essa carta me parece um movimento de reação, de tentativa de barrar essa transformação do mercado”, explica.

A especialista lembra ainda que no ano passado ficou provado que os ataques do presidente francês Eduardo Macron às queimadas brasileiras era uma tentativa de impedir o acordo do Brasil com a Uniao Europeia. “Isso além de fazerem grandes redes de supermercados como Wallmart e Carrefour não comprarem produtos brasileiros, o que não deu em nada”.

Além das questões ambientais, a carta também destaca as questões indígenas de forma bastante unilateral, afirmando que o objetivo era dar procedimento a processos sobre a demarcação de terras enquanto a imprensa brasileira estaria “distraída com a pandemia do novo coronavírus”. A questão fundiária e o andamento da lei que regulariza justamente esta questão também constam no documento.

Portal Guaíra com informações do Notícias Agrícolas