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O corpo do apresentador Gugu Liberato será velado por, pelo menos, 22 horas consecutivas, no Salão Monumental da Assembleia Legislativa de São Paulo, no Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo.

De acordo com a assessoria de imprensa do apresentador, a cerimônia, que será aberta ao público, deve começar por volta das 12h desta quinta-feira (28) e terminar às 10h da sexta-feira (29). O corpo de Gugu será velado em caixão aberto. A entrada para o velório será pela Avenida Sargento Mário Kozel Filho.

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Em seguida, o corpo será enterrado no jazigo da família no Cemitério Getsêmani, no Morumbi, também na Zona Sul.

O voo que trará o corpo de Gugu Liberato dos Estados Unidos está programado para chegar ao Brasil no início da manhã de hoje (28), no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP).

Batedores da Polícia Militar acompanharão o trajeto de Viracopos até a Assembleia Legislativa.

O corpo de Gugu já foi preparado para o traslado e permaneceu na funerária na quarta-feira (27), seguindo para o Aeroporto de Orlando, onde embarcou durante a noite no voo AD 8707, da Azul. Os familiares do apresentador estiveram no mesmo voo.

O corpo seguiu para a funerária na segunda-feira (25) após ser liberado pelo instituto responsável por necropsias e laudos, equivalente ao Instituto Médico Legal no Brasil. Desde então, a família estava obtendo a documentação necessária para a repatriação do corpo.

A cirurgia para retirada dos órgãos para doação foi realizada no domingo (24), dia em que a família divulgou uma carta sobre a decisão do apresentador.

A morte do apresentador foi confirmada na sexta (22) às 21h06, horário de Brasília, pela sua assessoria de imprensa, com uma nota assinada pela família. Gugu sofreu um acidente em sua casa na Flórida, nos Estados Unidos, na quarta-feira (20).

Gugu tinha 60 anos e era pai de três filhos que teve com a médica Rose Miriam di Matteo: João Augusto, de 18 anos, e as gêmeas Marina e Sophia, de 15 anos.

Cerimônia
Antes do início da cirurgia foi realizada uma cerimônia com presença da equipe do hospital e os familiares do apresentador. Na ocasião, os médicos leram o seguinte texto:

“Momento de honra, neste momento e a partir deste momento, honramos Antonio Augusto Moraes Liberato e essa oportunidade de salvar e melhorar a vida de outras pessoas. Ao cuidarmos dele agora, também somos responsáveis por cuidar desse gracioso presente da vida. Estendemos nosso respeito e gratidão à família e os mantemos em nossos pensamentos. Ao tocarmos a vida de muitos hoje, podemos entender nosso papel em transmitir o presente heroico da vida de um ser humano para outro. Que tenhamos um momento de silêncio agora para lembrar Gugu Liberato e todos os que se juntam à sua história do passado, presente e todos os dias à frente.”.

Os familiares de Gugu elaboraram uma carta escrita em primeira pessoa falando sobre o desejo do apresentador de doar seus órgãos.

“Deus em sua infinita bondade nos dá a oportunidade da vida. Vivi minha jornada na Terra seguindo os ensinamentos que recebi de meus pais, Augusto e Maria do Céu. Com eles aprendi a importância de olhar para o próximo com amor e fraternidade. Agora eu sigo adiante por um caminho que me levará mais próximo ao Pai. E neste momento quero praticar os ensinamentos do mestre Jesus. Assim como ele compartilhou o pão com os seus, eu compartilho meu corpo com aqueles que necessitam de uma nova oportunidade de viver. Aos meus familiares eu agradeço por terem realizado a minha vontade. Tenham certeza que, a partir de agora, eu estarei batendo em muitos outros corações e compartilhando minha vida com outros irmãos. Que eu seja um instrumento de amor, oportunidade e de luz. Gugu”.

Queda e acidente
O acidente que provocou a morte de Gugu aconteceu foi na última quarta (20), na casa do apresentador em um condomínio fechado nos Estados Unidos.

Gugu estava com o filho João Augusto, de 18 anos, as filhas gêmeas, Marina e Sophia, de 15 anos, e com a companheira dele Rose Miriam di Matteo. Ele morava num condomínio em Windermere, próximo a Orlando, no estado da Flórida.

Segundo relatos da assessoria, ele subiu no forro da residência para tentar trocar o filtro do ar-condicionado quando acabou pisando numa parte do forro que era feita de gesso que cedeu.

Gugu teve uma queda de aproximadamente quatro metros de altura na cozinha da casa e bateu a cabeça. O filho de Gugu ligou para os serviços de emergência, que chegaram rapidamente. Mas o trajeto da casa até o hospital não é curto, são 27 minutos.

Lesão neurológica
Assim que chegou ao hospital foi constatada uma fratura na têmpora direita e detectado um nível 3 na escala Glasgow. A escala Glasgow mede a atividade cerebral e vai de 0 a 15. Isso quer dizer que a atividade cerebral de Gugu já era baixíssima quando ele chegou ao local.

Como a hemorragia era muito grande, os médicos em Orlando optaram por não fazer cirurgia.

A família de Gugu chegou prontamente do Brasil, inclusive a mãe, Maria do Céu, de 90 anos, e os irmãos Aparecida e Amandio. Chegaram ao hospital às 19h30 de quinta (21), horário de Brasília.

O neurocirurgião Guilherme Lepsky, chamado para acompanhar o estado clínico de Gugu no hospital, concedeu uma entrevista exclusiva neste sábado ao correspondente Tiago Eltz. Lepsky disse que o apresentador chegou vivo ao hospital, mas sua condição se agravou rapidamente.

“Uma coisa é a avaliação da gravidade neurológica no momento que o paciente entra: ‘Ah, é grave, não é grave, vamos ou não vamos fazer algo’. A outra coisa é o diagnóstico da morte encefálica, que demanda tempo. Para falar que o quadro é irreversível, e a gente está falando para o futuro, a gente tem que olhar um pouquinho para o passado, para as horas que passaram, e ver se houve alguma mudança positiva no quadro neurológico”, explica o neurocirurgião Guilherme Lepsky.

Segundo o médico, o diagnóstico da morte encefálica é “evolutivo” e requer um tempo de análise.

“Precisa ter um tempo de observação mínimo, que não pode ser menor do que seis horas. Isto que foi feito. Ele tinha alguma atividade respiratória no início. Não era de início morte encefálica. Ele tinha de início alguma atividade na prova de apneia, a prova que se faz. Acontece que o quadro foi se deteriorando rapidamente e aí as provas subsequentes comprovaram isso. São feitas pelo menos duas provas, há um intervalo, aqui nos EUA este intervalo este intervalo não é limitado, pode ser feito 15 minutos depois, 20 minutos depois.”

Nos primeiros testes, Gugu ainda respirava sem os aparelhos, mas não respondia aos exames de reflexo profundo.

As leis americanas não exigem, mas os médicos fizeram ainda uma angiografia, que detectou que não havia mais fluxo de sangue para o cérebro.

O Hospital do Coração, em São Paulo, estava com estrutura pronta para atendimento, mas não foi necessário. Era desejo de Gugu que todos os seus órgãos fossem doados e a família atendeu. A equipe médica americana informa que eles podem ajudar até 50 pessoas.

Portal Guaíra com informações do G1