O segundo dia de debates na Câmara dos Deputados sobre o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff teve início neste sábado (16) após virar a madrugada em mais de 24 horas de discursos. Até agora, dezoito partidos já usaram o seu tempo para fazer explanações sobre o afastamento de Dilma. E a expectativa é que seja mais uma longa maratona de debates. Diante do avanço das negociações do Planalto para conter a debandada da base aliada, a oposição decidiu centrar os ataques nos indecisos e nos que pretendem faltar à sessão neste domingo. “Ai dos faltosos, aqueles que não têm coragem de mostrar o rosto amanhã. A história jamais os esquecerá. E para os indecisos, está na hora de verificar o que pensa o povo”, afirmou o deputado Átila Lins (PSD-AM), falando pela liderança do seu partido.

Na fala das lideranças, oposicionistas reforçaram a gravidade das pedaladas fiscais para a saúde das contas públicas. “Não gastaram pouco. Se olharmos para as curvas de gastos, é coisa de 1 a 2 bilhões para 40, 50 bilhões de reais. Não há país que se sustente. Os programas sociais são muito mais baratos do que a roubalheira que tivemos”, afirmou o deputado Carlos Melles (DEM-MG). Ele ainda destacou que a sucessão de CPIs instauradas no Congresso é a prova de que as ilegalidades no governo Dilma alcançaram um outro nível. “Que vergonha. Nunca tivemos tantas. Quandos se instala uma CPI aqui é porque as coisas já desandaram há muito tempo”.

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O deputado Marcelo Aro (PHS-MG) recorreu à filosofia grega para criticar a presidente. Citou o Mito da Caverna, de Platão, que conta a história de prisioneiros que vivem iludidos em uma gruta, enquanto a realidade está do lado de fora. “O que o PT fez foi nos aprisionar em um caverna e projetar sombras na parede que são meras ilusões. Se quisermos sair dessa caverna, é preciso que rompamos as algemas. E essas algemas têm nome: Dilma Rousseff”, exclamou o parlamentar. Único dos oito deputados do PHS a declarar voto contrário ao impeachment, o líder do partido na Câmara, Givaldo Carimbão (AL), afirmou que é um crime contra a democracia tentar destituir a presidente. Na tribuna, ele narrou encontros na última semana com Dilma e Michel Temer, mas negou que os dois tenham lhe oferecido cargos pelo voto.

Nesta sexta-feira, o PT deflagrou uma forte ofensiva para reverter votos pró-impeachment e convencer os indecisos a não comparecer ao dia de votação. Uma tropa dilmista de governadores do Nordeste desembarcou em Brasília para cumprir a tarefa. Algumas tratativas surtiram efeito, como a mudança de posição de Waldir Maranhão (PP-MA), mas o mapa do impeachment do site de VEJA ainda aponta a derrota de Dilma no plenário. Em discurso hoje, o petista Paulo Pimenta (PT-RS) celebrou o que chamou de “vira virou”. “Na realidade, a oposição nunca teve os votos necessários para aprovar a proposta de golpe”. Oposicionistas, por outro lado, garantiram que, apesar da perda de alguns apoios, ainda têm o número de votos suficientes – 342 – para levar o processo ao Senado.

A presidente Dilma também recebeu más notícias ontem à noite: o PP fechou a questão pelo impeachment e o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, entregou sua carta de demissão. Além do acirramento da disputa, as falas de hoje devem repercutir o pronunciamento que Dilma faria em cadeia nacional, mas desistiu após ser alertada pelo advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, para o risco de contestação na Justiça. No vídeo, que acabou sendo postado nas redes sociais, a presidente chama os defensores do impeachment de “traidores da democracia” e que eles pretendem “revogar direitos e cortar programas sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.”

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), chegou por volta das 10 horas ao plenário e reassumiu a presidência da Mesa. Quem estava comandando antes dele era Felipe Bornier (Pros-RJ).

Acompanhe a sessão deliberativa ao vivo

Portal Guaíra com informações da Veja