Nas redes sociais, Andres Eduardo Oñate Carrillo ostentava uma vida de luxo, com direito a pedido de casamento aos pés da Torre Eiffel, em Paris.

Fora das redes, o médico anestesista de 32 anos, estuprou pacientes e compartilhava imagens de abusos contra crianças e adolescentes.

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“Além de colecionar material pornográfico pesado, no qual até bebês eram violentados sexualmente, ele [Andres] também produziu vídeos em que estupra duas pacientes que ele deveria cuidar, mas aproveitou o momento de vulnerabilidade para estuprar”, relata o delegado Luiz Henrique Marques, titular da DCAV.

De família de médicos e casado com uma médica, Andres Carrillo concluiu o curso superior na cidade turística de Santa Marta, na Colômbia, em 2015. Dois anos depois, o colombiano se mudou para Brasil e se especializou em anestesiologia.

Em 2020, Carrillo passou na prova do Revalida, processo de revalidação dos diplomas de médicos que se formaram no exterior e querem atuar no Brasil, ficando na posição 790°, entre os 1085 médicos aprovados naquele ano, apenas 7% dos inscritos.

No Rio de Janeiro, atuou como estagiário no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, um dos mais importantes hospitais universitários do país.

Foi na unidade que o médico recebeu uma festa surpresa em razão de seu aniversário, em março de 2020, e compartilhou o momento em sua rede social com a seguinte legenda: “obrigado pelo carinho amigos”.

Em outras postagens, o anestesista aparece em fotos em meio à natureza e com a presença de animais. Em um desses registros, ele segura um peixe e comenta: “o sorriso do pescador é do tamanho desse peixe”.

Enquanto ele aparentava ter uma vida perfeita nas redes sociais, a polícia encontrou mais de 20 mil cenas de abuso contra crianças e adolescentes, cometidos por outras pessoas, mas armazenadas em aparelhos do anestesista. Foram essas imagens que levantaram as suspeitas. A polícia começou a investigar e descobriu que ele também praticava os estupros. A polícia investiga se ele vendia as imagens.

As investigações tiveram início em dezembro de 2022, a partir do compartilhamento de informações pelo Serviço de Repressão a Crimes de Ódio e Pornografia Infantil da Polícia Federal. Agora a polícia vai levantar todas as unidades nas quais o médico trabalha e tentar encontrar novas possíveis vítimas.

O homem foi levado para um presídio de Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro, onde vai passar por uma audiência de custódia na tarde desta terça-feira (17). Ele foi preso ontem (16) na casa onde mora com a esposa, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste. Segundo a polícia, a mulher dele custou a acreditar que o marido estava cometendo os crimes e ficou em estado de choque.

O Conselho Regional de Medicina (Cremerj) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) informaram que abriram uma sindicância para apurar o caso, levando à suspensão do homem.

Portal Guaíra com informações da CNN