O MPF (Ministério Público Federal) investiga a suspeita de envolvimento de policiais do BPFron (Batalhão de Polícia de Fronteira) com traficantes em Marechal Cândido Rondon. Além do procedimento realizado paralelamente pela Promotoria, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) apura irregularidades na apreensão denunciada por O Paraná. A Corregedoria da PM (Polícia Militar) também instaurou inquérito para avaliar a conduta dos policiais de fronteira.

Outra questão levantada agora pela PF (Polícia Federal) está relacionada ao paradeiro da carga de agrotóxicos apreendida pelo grupo do BPFron em uma propriedade rural de Marechal Cândido Rondon.

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Em 28 de setembro, os policias barraram uma carga de maconha e agrotóxicos. Em um caminhão, de Serranópolis do Iguaçu, foram encontrados 64,8 quilos da droga, além de 364 pacotes de agrotóxicos. A carga estava em uma propriedade rural da Linha Horizonte, perto do Clube Lira. No boletim oficial consta que o motorista do caminhão fugiu em um GM/Meriva, em alta velocidade. No entanto, provas repassadas aos investigadores mostram que os policiais não contiveram a fuga.

A carga de agrotóxicos, supostamente repassada à Delegacia de Polícia de Marechal Cândido Rondon, não chegou à PF. Por ser crime internacional, a carga deveria ter sido repassada à PF. Agora, um ofício questiona o paradeiro do produto ilegal.

Ontem o major Erich Wagner Osternack, comandante do BPFron, reforçou que não acredita em aliança entre membros da corporação com o tráfico. No entanto, confirmou que o boletim de ocorrência do flagrante não corresponde ao procedimento realizado no local. E quanto a isso, uma investigação interna já foi instaurada. “É isso que queremos avaliar. Em 4 de outubro instauramos inquérito militar. Foram tomadas as providências, e o Gaeco foi comunicado”.

No entanto, antes do contato da reportagem, o Gaeco não tinha conhecimento do caso, como confirmou o comandante do BPFron. O major diz ainda que a conduta dos policiais, em não informar adequadamente o que houve na ocorrência, não põe em descrédito todo o trabalho já realizado.

Em reunião do Gabinete de Gestão Integrada de Fronteira, Cid Vasques diz que Estado não tolera corrupção
Em reunião do Gabinete de Gestão Integrada de Fronteira, Cid Vasques diz que Estado não tolera corrupção

“Paraná não tolera corrupção”, diz Cid Vasques

O secretário de Estado de Segurança Pública, Cid Vasques, esteve ontem no BPFron para participar da reunião do Gabinete de Gestão Integrada de Fronteira. Ele comentou o caso denunciado e disse que o Estado não aceita casos de corrupção na polícia. “O governo do Paraná não tolera corrupção na polícia. Todo caso tem que ser investigado”, afirma Vasques.

Para enfrentar a corrupção, a meta é expandir as corregedorias. “Estamos com previsão de instalar uma corregedoria na região, para apurar esses casos. Assim como Londrina já possui, para descentralizar o serviço. A Polícia Militar tem uma corregedoria muito forte”, completou Vasques.

Batalhão recebe novos equipamentos

O BPFron (Batalhão de Polícia de Fronteira) recebeu ontem R$ 1,5 milhão em novos equipamentos. Além de armas, munições e coletes balísticos, os policiais receberam três embarcações da Estratégia Nacional de Segurança Pública.

A secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, compareceu à solenidade. Embora seja atribuição da União garantir o trabalho de fronteira, ela defende o trabalho compartilhado. Hoje, o Estado acaba tendo que suprir a deficiência deixada pelo governo federal. “Temos a atribuição do trabalho de fronteira, pela Polícia Federal e pela Polícia Rodoviária Federal. Já a polícia militar tem como atribuição crimes, como homicídios”.

No entanto, os policiais de fronteira acabam fazendo o serviço de competência federal, como apreensões de drogas e contrabando, que são crimes internacionais. “Não podemos atribuir a um só o trabalho. É uma série de fatores, e um trabalho em parceria”, declarou a secretária.

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Fonte: O Paraná
Fotos: Aílton Santos