A sepultura de Zé Sanfoneiro está do jeito que ele sempre sonhou (foto: Nilson Hort)
A sepultura de Zé Sanfoneiro está do jeito que ele sempre sonhou (fotos: Nilson Hort)

No túmulo que mais chama a atenção dos visitantes no Cemitério Jardim da Paz, de Assis Chateaubriand, não tem ninguém sepultado. Há quase 10 anos, José Bonfante (Zé Sanfoneiro), resolveu construir a própria sepultura, do jeito que ele sempre sonhou, onde também será enterrada a esposa, Idalina Bonfante. “O Evangelho diz que as pessoas devem estar preparadas, como eu e minha companheira estamos fazendo. É uma realidade, pois a morte um dia vai chegar”, justifica o aposentado.

sanfoneiroNo local já foram investidos cerca de R$ 5 mil. A jazida recebeu recentemente uma pintura em seu rodapé, é mantido sempre limpo, com flores e até com os retratos do músico. Zé conta que a ideia de construir o seu túmulo e da esposa surgiu em uma conversa durante uma visita ao cemitério. “Estávamos caminhando e ela me disse: ‘se a gente achasse uma vaga perto da entrada, poderíamos comprar o terreno’. Outro dia, achei um espaço do jeito que ela queria, compramos e fizemos um túmulo simples. Passado um tempo, resolvi fazer um melhor, de mármore e com uma capelinha, tudo do nosso jeito”, detalha Zé.

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Apesar do aviso “futura morada”, várias pessoas passam pelo local, ascendem uma vela e fazem oração ao suposto finado.

Certo dia, um amigo do músico de outra cidade fazia uma visita ao cemitério. Ao ver a sepultura, não visualizou o aviso, realizou algumas orações e lamentou a morte do colega. Quando chegou a um posto de gasolina da cidade, se encontrou com o Zé Sanfoneiro todo alegre, só na cantoria. O amigo levou um grande susto e demorou alguns minutos para entender o que estava acontecendo. “Já ouvi pessoa dizendo que ele ressuscitou depois de encontrá-lo vivo lá na cidade. Sempre passo por aqui e vejo a bela sepultura do Zé com a foto dele com a inseparável sanfona”, diz Zuleide Rovete, 69, parabenizando o músico pela ideia. “O meu túmulo também já está pronto, acabei de fazer na semana passada, ao lado da sepultura da minha neta. Será a futura morada minha e do meu marido”, revela Zuleide.

curiosos2A iniciativa de construir o próprio túmulo em vida divide muito a opinião dos visitantes do cemitério. Alguns não concordam, dizendo “onde já se viu uma coisa dessas. O Zé Sanfoneiro é louco!”, brincam. Já outros encaram com naturalidade, ressaltando que não tem como fugir da morte. “Uma boa iniciativa porque vai ficar do jeito dele e a morte é uma certeza. Gostei de como ficou a sepultura, mas não pretendo fazer uma para mim agora. Não tenho dinheiro para construir neste momento, então deixa para o futuro”, brinca o aposentado de Elídio Vigor, 75, de Nova Canaã (MT), que visitou o túmulo com a família e aproveitou para tirar fotos.

Em junho, o músico completa 50 anos que mora em Assis Chateaubriand. Com 78 anos de idade, Zé Sanfoneiro diz que não tem pressa de se mudar da cidade para o cemitério. Ele revela que a parte do funeral ainda não tem nada preparado. “Essa segunda parte, a gente deixa acontecer naturalmente e não faço questão de planejar. Quando nosso senhor Jesus Cristo me chamar, pode ser amanhã ou hoje, estou pronto para ir, do jeito que eu quero, mas tomara que o túmulo ainda fique por bastante tempo a minha espera (risos)”, brinca o Zé Sanfoneiro, finalizando mais uma faxina na sua futura morada.

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Reportagem e fotos de Nilson Hort