O geofísico Bruno da Silva Mendes, 32 anos, que foi resgatado por bombeiros do Grupamento de Operações Aéreas com o apoio do quartel do Humaíta, após ficar preso no Pão de Açúcar durante a prática de alpinismo, morreu na tarde de domingo no Hospital Municipal Rocha Maia, em Botafogo, Zona Sul do Rio.

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A informação foi dada pelos dois primeiros alpinistas que chegaram ao local, por volta das 15h30m. Bombeiros do Grupamento de Operações Aéreas (GOA), com apoio de militares do Humaitá, resgataram o homem por volta das 16h30. Ele estava acompanhado de uma mulher, que também se feriu.

O oficial de Justiça Carlos Correia dos Anjos e o bombeiro da reserva Josivaldo de Jesus contaram que tinham terminado uma escalada, quando funcionários do Caminho Aéreo Pão de Açúcar – que administra o local – pediram ajuda, já que haviam constatado um acidente. “O cabo estava partido. O rapaz era quem guiava a escalada e caiu de uma altura de cerca de 70 metros, batendo várias vezes nas rochas. A menina também se machucou. Ela ficou presa pelas cordas, que queimaram suas mãos e a apertavam tanto, que, quando chegamos, ela estava sufocando”, contou Carlos Correia.

Ainda segundo Correia, o caminho escolhido pelos alpinistas não apresenta alto grau de dificuldade. Eles subiram pela rota conhecida como Via dos Italianos e estavam na Via Ferrata, ou Cepi, a aproximadamente 20 metros do cume.

Os bombeiros levaram o rapaz de helicóptero e pousaram na Escola de Educação Física do Exército, dentro da Fortaleza de São João, na Urca, na Zona Sul do Rio. Segundo informações dos bombeiros, a vítima ainda estava viva e morreu ao dar entrada no Hospital Rocha Maia.


Desacordado no resgate

O tenente do Corpo de Bombeiros, Thiago Henrique Germano da Silva, que participou do socorro às vítimas, contou que, quando os bombeiros chegaram ao local, o rapaz já estava desacordado. “O estado dele aparentava estar muito grave, ele sofreu múltiplas lesões. A mulher que estava com a vítima está bem, ela sofreu apenas algumas escoriações”, conta Silva.

O tenente disse ainda que não chegou a observar se houve ou não o rompimento do cabo porque a prioridade era fazer o resgate das vítimas.

A acompanhante do rapaz, ainda não identificada, desceu do bondinho por volta de 18h30m e foi levada por uma ambulância do Corpo de Bombeiros. Depois que ela foi resgatada, ela passou boa parte do tempo sentada numa área de apoio do paredão. A mulher foi levada no começo da noite para o Hospital Miguel Couto, na Gávea.

O dentista paulista Roberto Andrade contou que cerca de 200 pessoas estavam no alto do Pão de Açúcar quando o acidente aconteceu.

“Muitos turistas, principalmente estrangeiros, ficaram assustados, sem entender o que acontecia. Só sabíamos que alguém havia caído na escalada. A gente fica na dúvida sobre a segurança que os cariocas e os turistas têm para escalarem”, disse o turista.

A assessoria de imprensa do Caminho Aéreo Pão de Açúcar afirmou que só se responsabiliza pelo complexo turístico e não pela manutenção das vias.

Durante o regate, o helicóptero deixou um médico com o alpinista no morro para os primeiros-socorros, enquanto retornava para Copacabana para resgatar duas jovens que se afogavam na praia. Depois, a aeronave retornou ao Pão de Açúcar. Segundo os bombeiros, as banhistas passam bem.