Foto: Assessoria Governo do Paraná

Pioneiro do plantio direto na palha no Brasil, o agricultor Herbert Arnold Bartz, com propriedade em Rolândia, no norte do Paraná, morreu nesta sexta-feira, aos 83 anos, de complicações de pneumonia. A implantação do sistema menos agressivo com o solo concretizou o sonho de Bartz de produzir alimentos em abundância e qualidade, após enfrentar a fome na Europa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

“É mais uma das mortes que vamos lamentar para sempre por se tratar de uma pessoa afável, um ser humano fantástico”, disse o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. “A contribuição de Herbert Bartz para a agricultura brasileira e, particularmente, para a paranaense, é inestimável. Seu pioneirismo no plantio direto fará com que o sonho de produzir alimentos em abundância e qualidade, que ele transformou em realidade, continue se concretizando por muitos e muitos anos.”

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Para o presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater, Natalino Avance de Souza, Bartz foi fundamental no desenvolvimento da agricultura paranaense. “A visão de futuro em relação à agricultura paranaense e brasileira, a coragem com que soube buscar soluções para que o solo mantivesse suas propriedades nutricionais e a tenacidade em aplicar as técnicas em que acreditava fazem dele um dos grandes homens da agricultura nacional”, disse.

GUERRA – Bartz nasceu em Rio do Sul (SC), em 14 de fevereiro de 1937, filho de imigrantes germânicos, foi criado na Alemanha conflituosa, em meio à fome, frio e solidão da guerra. Em entrevistas, ele relatou que, na noite de seu oitavo aniversário, Dresden, onde estava, foi bombardeada. Abrigado com outras crianças em um porão, foi salvo pelas águas jogadas por adultos, que possibilitaram enfrentar o imenso calor. “Eu tive um sonho, que era produzir alimento em qualidade e em abundância”, não cansava de repetir.

De volta ao Brasil em 1960, a família se fixou na Fazenda Rhenânia, em Rolândia, trabalhando com plantio de milho e arroz. Mas logo percebeu que, no sistema convencional de produção, não sobrariam muitos recursos para o sustento familiar. Os problemas das chuvas tropicais irregulares, que vinham em excesso, após longo período de estiagem, lavavam as lavouras, carregavam as sementes e provocavam a erosão.

SOLUÇÃO – A possibilidade de venda das terras foi ventilada na família. Herbert, já visionário, propôs que o pai, Arnold, arrendasse a propriedade para ele, que procuraria uma receita mais apropriada para trabalhar a terra nas condições brasileiras. Na busca pela solução, Bartz esteve na Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos, onde conheceu a técnica do “No-Tillage” na propriedade do agricultor Harry Young Jr., no Kentucky.

Em 1972, após importar a mesma máquina semeadora não agressiva que Young usava, ele adotou o método que, no Brasil, passou a ser chamado de Plantio Direto. Consiste no mínimo ou na ausência de revolvimento do solo, manutenção dos restos culturais da safra anterior e em rotação de culturas. Com isso, conseguiu resultados positivos na produtividade da soja, na conservação do solo e na economia com menos uso de maquinários.

A desconfiança inicial, que levou Bartz a ser chamado de “alemão louco” e a produção ser apreendida pela Polícia Federal, logo foi substituída pela certeza de que a adoção da técnica garantia maior produtividade. A fama se espalhou, a propriedade ganhou visibilidade, outros produtores passaram a visitar e perceber que o solo estava mais vivo.

Não demorou muito para que o sistema ganhasse adeptos e Bartz percorresse o Brasil e outros países proferindo palestras. Hoje, prestes a completar 50 anos de implantação no Brasil, o Plantio Direto, nascido da visão de futuro de Herbert Bartz, já se espalhou pela América do Sul.

Ele deixa a esposa Luíza e os filhos Johann e Marie.

Portal Guaíra via Assessoria