(Foto: Gilson Abreu/AEN)

O Governo do Paraná enviou ofício na terça-feira (29) à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) pedindo a retirada do regime de urgência do projeto que cria o Fundo de Desenvolvimento da Infraestrutura Logística do Estado do Paraná (FDI), com taxações ao agronegócio.

Sem a urgência, a proposta continua tramitando, mas no rito normal da Casa. Não há previsão de quando a matéria será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Entenda o projeto mais abaixo.

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A proposta foi protocolada pelo governo no dia 21 de novembro, no “pacotaço” de medidas enviadas pelo Executivo à Alep.

Dos 22 projetos apresentados pelo governo entre 21 e 23 de novembro, o que cria o FDI é o único que agora tramita sem regime de urgência.

Recuo após pressão do agro
O projeto seria debatido na CCJ no dia 22 de novembro. Porém, foi retirado de pauta, a pedido do governo, diante de manifestações dos setores que serão impactados pelas mudanças.

Depois disso, a proposta não voltou a ser debatida, nem no plenário, nem em comissões.

O que diz a proposta
Na justificativa do projeto, o governo diz que o fundo busca bancar políticas públicas de “estímulo expansão, manutenção e melhoria da infraestrutura logística estratégica do estado”.

Afirmou, também, que o fundo deve financiar planejamento, estudos, execução, acompanhamento e avaliação de obras e serviços de infraestrutura logística no Paraná. O fundo seria vinculado à Secretaria de Estado da Fazenda (SEFA).

A medida não obriga setores do agronegócio a contribuir com o fundo, mas fixa como condição para que produtores recebam o benefício de diferimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas operações internas com alguns produtos.

O diferimento ocorre quando o pagamento do imposto é postergado para o momento da comercialização da mercadoria. O projeto do governo não citou arrecadação prevista.

Confira as taxações propostas:

  • 14,95% nas operações com o produto milho;
  • 32,66% nas operações com o produto soja;
  • 1,36% nas operações com o produto cana de açúcar;
  • 11,22% nas operações com o produto mandioca;
  • 18,50% nas operações com o produto trigo;
  • 0,71% nas operações com o produto toras.
  • 42,18% com o produto bovino macho e 33,84% com o produto bovino fêmea (UPF/PR por cabeça);
  • 4,78% com o produto suíno;
  • 0,09% com o produto frango.

O que dizem representantes do setor
No dia seguinte à apresentação da proposta, a Sociedade Rural do Paraná (SRP) emitiu nota repudiando o projeto e disse ter recebido a matéria com espanto e preocupação. Para a organização, as medidas anunciadas enfraqueceriam produtores.

“Tais medidas nos deixam perplexos e provocam o regresso de avanços conquistados com muito suor até aqui. Trabalhamos diante de um cenário que ainda sofre pelos rastros causados pela pandemia da Covid-19. Enxugar a máquina pública, construir ações e projetos que promovam amparo e desenvolvimento dos setores é o que se espera de nossos governantes.”

A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) também se manifestou contrária à iniciativa, alegando que o setor não foi ouvido. A federação disse que um estudo preliminar indicou que o custo total da taxação ficaria entre R$ 1,5 e R$ 2 bilhões.

“A situação da agropecuária paranaense, de aparentes ganhos e altas rentabilidades, não é real, tampouco permanente, portanto qualquer sobretaxação ao setor exporá os produtores a sérios riscos econômicos e financeiros, com tendências a afetar toda a economia do Estado em médio prazo”, disse nota técnica da federação.

Portal Guaíra com informações do G1