Safra soja 2020. Fotos:Jaelson Lucas / AEN

Os preços da soja recuaram em pontos do interior do Brasil na segunda-feira (22), acompanhando a baixa do dólar frente ao real. A moeda americana encerrou o dia com perda de 0,86% e valendo R$ 5,27. Assim, e com a pouca movimentação das cotações da oleaginosa na Bolsa de Chicago, os indicativos no mercado nacional cederam até 8,08%, como foi o caso de Sorriso, no Mato Grosso, onde a soja balcão ficou em R$ 91,00 por saca.

Embora mais tímidas, baixas foram registradas também em outras praças do Centro-Oeste e do Sul do país. Já nos portos, as referências permaneceram estáveis. No spot, Rio Grande fechou com R$ 110,00; Santos com R$ 115,00 e Paranaguá com R$ 112,50 por saca. Já para fevereiro de 2021, foram 103,00 no terminal gaúcho, R$ 106,00 no paranaense e R$ 106,00 no paulista, onde houve baixa de 1,85%.

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Com a soja da safra atual, os negócios são mais pontuais e estão muito mais concentrados no mercado interno. A escassez de produto já é, inclusive, preocupação da indústria esmagadora nacional, principalmente diante de preços tão elevados.

“Os preços da soja em grão subiram significativamente nos últimos dias, preocupando representantes de indústrias quanto ao abastecimento da matéria-prima no segundo semestre – grande parte das unidades tem estoques apenas para curto prazo”, explicam os pesquisadores do Cepea. “No início da pandemia de covid-19 no Brasil, agentes estavam incertos quanto ao consumo de farelo e óleo de soja. No entanto, as procuras doméstica e externa continuaram firmes, especialmente por farelo de soja”, complementam.

Para a safra nova, com o percentual comprometido com a comercialização já superando os 30%, os produtores brasileiros também não têm pressa em efetivar novos negócios, ainda mais em dias de baixa do dólar e em Chicago.

MERCADO INTERNACIONAL
Os futuros da oleaginosa terminaram o dia na Bolsa de Chicago com baixas de 0,25 a 1,50 ponto entre as principais posições, com o julho valendo US$ 8,76 e o novembro, US$ 8,79 por bushel.

“Mais uma semana se inicia sem grande entusiasmo para o mercado agrícola. O clima favorável nos Estados Unidos continua limitando qualquer potencial de ganho para as cotações da soja e milho em Chicago”, explica a ARC Mercosul.

O mercado segue trabalhando de olho no desenvolvimento da nova safra americana e nas condições climáticas do Corn Belt. Com o plantio tendo acontecido em ritmo bastante acelerado, há preocupações com possíveis riscos que possam aparecer nos próximos meses.

A demanda também continua sendo monitorada, porém, as notícias sobre as relações entre China e Estados Unidos já não causam grandes impactos no andamentos dos negócios. Como resumiu o diretor da ARC Mercosul, Matheus Pereira, o fato já chegou à “exaustão especulativa”.

Ainda nesta segunda, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe seu novo boletim semanal de embarques de grãos e apresentou números abaixo das expectativas para a soja.

Na semana encerrada em 18 de junho, os EUA embarcaram 254,929 mil toneladas de soja, contra projeções de 300 mil a 500 mil toneladas. Em toda temporada, o acumulado chega a 36.482,701 milhões de toneladas, 0,3% a mais do que no mesmo período do ano anterior.

Portal Guaíra com informações do Notícias Agrícolas