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Se o médico é a peça fundamental para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) funcionar plenamente, então não é exagero dizer que o serviço está com sérios problemas na região Oeste. Isso porque dos 56 profissionais que são necessários para atender a demanda de 43 municípios, há um déficit de 15 médicos em municípios como Cascavel, Guaíra, Assis Chateaubriand, Quedas do Iguaçu e outros. A cobertura do atendimento é para os 18 municípios da 20ª Regional de Saúde de Toledo e aos 25 da 10ª Regional de Saúde de Cascavel.

Conforme informações do secretário-executivo do Consamu (Consórcio Intermunicipal do Samu Oeste), José Peixoto Neto, os profissionais são contratados para uma carga de 24 horas semanais, isto é, em regime de dois plantões de 12 horas. O salário que era de R$ 7,2 mil, inclusive, sofreu reajuste recentemente e agora está em R$ 7.632. “Estamos enfrentando esse problema de falta de profissionais, e justamente por isso vamos buscar autorização para um novo concurso público para atender a essas vagas ociosas”. Com essa realidade, o atendimento médico de urgência fica comprometido, à mercê da falta de profissionais. A propósito do tema será realizada hoje, às 9h30, na Prefeitura de Cascavel, assembleia com os gestores municipais do consórcio para discutir esse e outras situações envolvendo o Samu, inclusive a inadimplência de municípios.

Para o presidente do Simepar (Sindicato dos Médicos do Estado do Paraná), Mário Antonio Ferrari, o salário abaixo do piso de R$ 11 mil estabelecido pela Fenam (Federação Nacional dos Médicos) para 20 horas de trabalho, é o principal motivo para esse quadro. “O valor nem está muito próximo ao piso. Se somar o salário ao estresse que esse tipo de atividade do Samu envolve, acaba levado o médico a fazer opções por outras atividades que não exijam tanta sobrecarga e excesso de trabalho. O médico procura alternativas no mercado de trabalho”, avalia.

Segundo ele, o trabalho no Samu é muito mais estressante que um atendimento numa unidade de saúde, por exemplo. “Tem a questão do deslocamento, que é mais um fator de risco para os profissionais, às vezes equipamento insuficiente, é realmente um atendimento bem diferente do que é feito em um pronto-socorro”.

A solução, para ele, é investir nos profissionais com a garantia de compensações, como um plano de carreiras, benefícios para aposentadoria, facilidades para o egresso no serviço público. “É preciso incentivar a permanência desses profissionais”, diz Mário.

Fonte: O Paraná


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