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“[dropcap color=”#eeee22″]E[/dropcap]u fiquei sem acreditar que seria ele porque, até então, a gente confiava nele”. A declaração de Laura Lindiane Tavares dos Santos reflete o sentimento de outros moradores da cidade de Janaúba, no Norte de Minas Gerais, marcada pelo crime em uma creche municipal na última quinta-feira.

Somente quando a trágica história de que um homem havia ateado fogo em crianças, funcionários e no próprio corpo, dentro daquela instituição, veio à tona é que a vendedora descobriu o nome do “homem do sorvete”, que passava de moto pelas ruas do bairro onde ela mora (São Lucas) anunciando seu produto semanalmente: Damião Soares dos Santos. Conhecido também como Damião Picolé, do dia para a noite, o criminoso passou a ser lembrado como assassino, após o ataque ao Centro Municipal de Educação Infantil (Cemei) Gente Inocente, onde trabalhava como vigia.

Laura diz que seus cinco filhos eram clientes fieis do ambulante.

“Eu nunca gostei do sorvete dele, mas meus filhos gostavam e compravam muito sorvete e picolé com ele; e a vizinhança também. Ele gostava de dar sorvete para a minha neta. Ela me perguntou se na creche dela vai ter fogo também depois de saber o que aconteceu ontem. Eles estavam muito acostumados com ele por aqui. Ele passava de moto e a gente chamava, então ele costumava parar para vender aqui em frente de casa”, contou.

Pelo pouco que conhecia do vendedor de sorvetes, Laura diz que ele aparentava ser uma pessoa normal, que falava que morava sozinho e que “demonstrava ter algum afeto por crianças”.

“Às vezes, as crianças não tinham dinheiro para comprar e ele dava o sorvete para as mães pagarem depois”, disse. “Mas eu me preocupava com a questão de que ele morava só e fabricava essas coisas em casa. Eu tinha receio de comer o sorvete e o picolé dele, não sei porquê. No fundo, ele tinha algo que me deixava com o pé atrás”, acrescentou.

O incêndio na creche mineira causou a morte de oito pessoas e deixou ao menos 42 hospitalizadas. O autor do crime também morreu, na mesma tarde, com quase 100% do corpo queimado.

Portal Guaíra com informações da Massa News


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