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[quote color=”#000000″ bgcolor=”#c9c9c9″]O Portal Guaíra de Notícias informa que seu trabalho é divulgar os acontecimentos de Guaíra e região com total lisura, transparência e idoneidade. Defendemos a importância, no âmbito de um Estado Democrático de Direito, da liberdade de expressão ou manifestação do pensamento no rumo das decisões políticas. Todavia acreditamos que a liberdade de expressão não pode ser utilizada como fundamento para permitir a incitação ao ódio ou preconceito, seja de qual natureza for. Com esta linha de pensamento já fomos duramente criticados por ambas as partes envolvidas nesta questão, mas mesmo assim seguimos com o nosso objetivo que é o de bem informar nossos leitores.[/quote]

[dropcap color=”#dd9933″]A[/dropcap]s organizações que assinam o presente manifesto [relação no final da matéria] vem a público manifestar a sua preocupação com as recentes mobilizações de parte da população dos municípios de Guaíra e Terra Roxa, Oeste do Paraná, com discurso de ódio contrário à presença das comunidades Guarani em suas áreas de ocupação tradicional, cujos estudos estão sendo realizados pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI).

Nos últimos meses o Grupo Técnico destinado a realizar os estudos fundiários da área da demarcação esteve na região por duas vezes, tendo seu trabalho coibido. Proprietários de terras, políticos locais e membros da bancada ruralista no congresso estão articulando a divulgação de informações falsas para inviabilizar a demarcação da Terra Indígena Guasu Guavirá. Oficialmente a área ainda não está delimitada, mesmo assim notícias de jornal e grupos em redes sociais circulam um mapa e afirmam levianamente que mais de 35% da área urbana será afetada.

Para além da recusa em reconhecer o direito constitucional dos povos indígenas às terras que tradicionalmente ocupam e das quais foram violentamente expulsos, conforme comprovado em inúmeros documentos, registros históricos e estudos acadêmicos, o que está sendo propagandeado no Oeste do Paraná é um discurso que incita a violência contra as comunidades e que adota como estratégia negar direitos humanos básicos, afim de que o povo Guarani deixe de existir aos poucos.

Na última segunda-feira (4) a entrada da aldeia Y’Hovy foi bloqueada por cerca de 100 fazendeiros que tentavam impedir que uma entrega de madeira para a construção de moradias dignas fosse feita. Recentemente publicado, o Relatório sobre Violações de Direitos Humanos contra os Avá Guarani do Oeste do Paraná sistematizou diversos casos em que foi negado o acesso ao saneamento básico, água potável, eletricidade, incitação ao ódio, ameaças, sequestro e perseguições a fim de dificultar a permanência das comunidades nas áreas das atuais aldeias.

Na quarta-feira (6), um ato contra as demarcações de Terras Indígenas foi convocado para o Centro de Guaíra. Nos grupos de redes sociais o discurso de ódio ganhou a adesão de vereadores e outros políticos da região, além de associações empresariais que orientavam os comerciantes a fecharem estabelecimentos. A ordem para os comerciantes foi seguida da orientação para que a população boicotasse estabelecimentos que não paralisassem as atividades. É extremamente preocupante o cenário de polarização movida pelo ódio que se desenha na região.

Por se tratar de políticos, proprietários e empresários, detentores do poder local, o discurso de ódio ganha o componente da impunidade. Nas redes sociais, parte da população de Guaíra e Terra Roxa parece se sentir à vontade para manifestar opiniões racistas contra o povo Guarani e sugerir ações criminosas como, por exemplo, queimar o caminhão ou invadir as comunidades à noite para colocar fogo no material doado, ameaçando agir com violência contra as comunidades.

Diante deste cenário, manifestamos nosso apoio às comunidades Guarani do Oeste do Paraná na luta pela garantia de seus direitos constitucionais.

Exigimos dos órgãos responsáveis a continuidade do processo de demarcação da Terra Indígena Guasu Guavirá e a investigação dos crimes de ódio e incitação à violência, insuflados por uma campanha de desinformação da população da região sobre a história e os direitos indígenas fomentada pela propagação de informações falsas e preconceituosas nas redes sociais contra as comunidades Guarani.

Destacamos que é necessário e urgente que sejam tomadas medidas de proteção às comunidades Guarani, pois tememos por atos mais violentos contra a integridade da vida das pessoas.

Comissão Guarani Yvyrupa
Comissão Guarani Nhemongueta
Centro de Trabalho Indigenista
Conselho Indigenista Missionário
Centro de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental (CEPEDIS)
Geolutas/Unioeste
Associação de Geógrafos do Brasil – Seção Marechal Cândido Rondon
Comitê de Apoio aos Ava Guarani no Oeste do Paraná
Grupo de Pesquisa “Meio ambiente: Sociedades Tradicionais e Sociedade Hegemônica” (PUCPR)
Rede para o Constitucionalismo Democrático Latino-Americano, Região Sul
Rede de Latinoamericana de Antropologia Jurídica (RELAJU)
Serviço Pastoral do Migrante
Observatório da Questão Agrária no Paraná
Conselho de Missão entre Povos Indígenas – COMIN
Midia Ninja
Rede Dataluta
Comissão Pró-Índio de São Paulo

As informações são da Assessoria de Imprensa


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